E todo dia ela escrevia
Um bilhetinho sobre a vida
Pra tentar alegrar um leitor distraído
Ou uma moça sonhadora
5 de nov. de 2011
24 de out. de 2011
Reta
Até onde vai a vida? E as coisas que eu julguei eternas?
Pra onde vai o amor? E o tempo que eu gastei procurando por ele?
Pra onde vão as pessoas? E tudo que elas fizeram?
Pra onde vai a amizade? E os amigos que deixei levar?
Pra onde vou eu? E o que costumava ser?
Pra onde vai a vida? E pra onde vai a morte?
Até onde continua a vida
E começa a morte?
Pra onde vai o amor? E o tempo que eu gastei procurando por ele?
Pra onde vão as pessoas? E tudo que elas fizeram?
Pra onde vai a amizade? E os amigos que deixei levar?
Pra onde vou eu? E o que costumava ser?
Pra onde vai a vida? E pra onde vai a morte?
Até onde continua a vida
E começa a morte?
6 de jul. de 2011
Um Amigo
Meu amigo que faz doer o peito
Faz doer também a maçã do rosto
De tanto rir
Meu amigo que faz arder os olhos
Faz também arder o estômago
Ao o ver
Meu amigo que dá saudade
Dá mais saudade ainda
Ao sair
Meu amigo sabe ser
Na simplicidade de um gesto
Tudo o que eu preciso ter
Faz doer também a maçã do rosto
De tanto rir
Meu amigo que faz arder os olhos
Faz também arder o estômago
Ao o ver
Meu amigo que dá saudade
Dá mais saudade ainda
Ao sair
Meu amigo sabe ser
Na simplicidade de um gesto
Tudo o que eu preciso ter
12 de abr. de 2011
Amor
Então ela descobriu o que era a felicidade
Quando só de ouvir a respiração dele
Respirava ela aliviada
De poder se aconchegar naquele corpo quente
E guardar seu coração junto ao dele
Quando só de ouvir a respiração dele
Respirava ela aliviada
De poder se aconchegar naquele corpo quente
E guardar seu coração junto ao dele
6 de abr. de 2011
Mágica
Ninguém sabia quem morava na terceira casa da rua.
A vizinha da casa ao lado pensava que as flores sumiam sozinhas da roseira
O lixeiro às vezes esquecia o lixo da terceira casa
Nunca varriam a porta, nunca tocavam a campainha
A casa era tão apagada que nem parecia estar ali
E a dona, tão vívida, que não deveria morar ali
As crianças da rua nunca brincavam na calçada em frente
Nenhum vira-lata procurava abrigo no telhadinho da casa
Nem mesmo os gatos, sempre em todo canto, pisavam em cima do jardim
E a casa também parecia não se perceber
As flores floresciam na época errada
A grama tinha uma cor tão diferente que parecia pintada
E ali nem mesmo a chuva ousava cair
Mas nenhum vizinho notava
Quando todo dia de manhã chegavam biscoitos quentinhos e um arranjo de flores
Com as rosas da vizinha da casa ao lado
E estranhas flores fora de época
Que a senhorinha da terceira casa deixava todo dia
Enquanto esperava da janela do sótão
Os sorrisos de vizinhos que acordavam carrancudos
Olhavam para os lados
E voltavam para suas casas sem ver absolutamente nada
A vizinha da casa ao lado pensava que as flores sumiam sozinhas da roseira
O lixeiro às vezes esquecia o lixo da terceira casa
Nunca varriam a porta, nunca tocavam a campainha
A casa era tão apagada que nem parecia estar ali
E a dona, tão vívida, que não deveria morar ali
As crianças da rua nunca brincavam na calçada em frente
Nenhum vira-lata procurava abrigo no telhadinho da casa
Nem mesmo os gatos, sempre em todo canto, pisavam em cima do jardim
E a casa também parecia não se perceber
As flores floresciam na época errada
A grama tinha uma cor tão diferente que parecia pintada
E ali nem mesmo a chuva ousava cair
Mas nenhum vizinho notava
Quando todo dia de manhã chegavam biscoitos quentinhos e um arranjo de flores
Com as rosas da vizinha da casa ao lado
E estranhas flores fora de época
Que a senhorinha da terceira casa deixava todo dia
Enquanto esperava da janela do sótão
Os sorrisos de vizinhos que acordavam carrancudos
Olhavam para os lados
E voltavam para suas casas sem ver absolutamente nada
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