23 de mar. de 2012

Calendário

Foi quando ela descobriu que não odiava as segundas-feiras que percebeu que era, de fato, feliz.

Mas na verdade foi numa segunda-feira chuvosa. Quando ela teve que pegar dois ônibus e o segundo quebrou. E a caminho de um outro segundo ônibus, ela rasgou sua blusa favorita no caminho. No trabalho, gritaram com ela. No almoço, serviram suas batatas fritas em cima do feijão. Na volta pra casa, deixou cair todos os seus papéis no chão molhado.
Ela descobriu que era feliz quando, depois disso e mais um pouco, ela sorriu. Porque adorava o cheiro de casa, porque o motorista do primeiro ônibus sorriu pra ela, porque no final das contas, não fazia tanta diferença assim a sua batata frita estar coberta de feijão.
Porque a felicidade não vem agendada. Ela não espera pra acontecer. Não existe tempo pra ser feliz. Não existem condições pra ser feliz.
Felicidade é quando você acorda e se sente bem o suficiente pra querer mais mil manhãs como aquela. E diferentes daquela também!Felicidade é quando nada mais importa
Porque quando se é feliz, se está feliz. E esse é um estado imune à irritação, à raiva, ao desinteresse.
Então ela foi dormir sem saber que era a pessoa mais feliz do mundo inteiro naquele instante. E por alguns instantes depois também.

24 de nov. de 2011

Ir

Deixa eu te pedir uma coisa
Não vá embora assim, de qualquer jeito
Nem se esconda atrás dos seus preceitos todos
Se tudo o que nós dois precisamos
É de um teto e alguém pra amar
Comida na mesa e um beijo na testa
Que o resto a gente dá um jeito
Pra arranjar dinheiro, há trabalho
Pra se divertir, existem sorrisos
Pro frio, um abraço basta
Então esqueça esses sonhos tolos
Que à tardinha embaixo do sol
Eles se esmaecem lentamente
Enquanto tudo que podemos ver
São as sardas um do outro
Não vá embora

5 de nov. de 2011

Pra Sorrir

E todo dia ela escrevia
Um bilhetinho sobre a vida
Pra tentar alegrar um leitor distraído
Ou uma moça sonhadora

24 de out. de 2011

Reta

Até onde vai a vida? E as coisas que eu julguei eternas?
Pra onde vai o amor? E o tempo que eu gastei procurando por ele?
Pra onde vão as pessoas? E tudo que elas fizeram?
Pra onde vai a amizade? E os amigos que deixei levar?
Pra onde vou eu? E o que costumava ser?
Pra onde vai a vida? E pra onde vai a morte?
Até onde continua a vida
E começa a morte?

6 de jul. de 2011

Um Amigo

Meu amigo que faz doer o peito
Faz doer também a maçã do rosto
De tanto rir
Meu amigo que faz arder os olhos
Faz também arder o estômago
Ao o ver
Meu amigo que dá saudade
Dá mais saudade ainda
Ao sair
Meu amigo sabe ser
Na simplicidade de um gesto
Tudo o que eu preciso ter