21 de abr. de 2016

De envelhecer

Passar o dia sem ver o dia passar
Por tantas vezes que de repente
Aparece algo pra lembrar
Que quando se para pra respirar
A vida já mudou de lugar

16 de ago. de 2015

De Envelhecer

De tudo o que você pensa
O que é que sobra
Quando o cabelo vai esbranquiçando
Quando as rugas lhe rasgam a pele
Quando seu corpo te trai

De tudo o que você vive
O que é que vale a pena
Quando seus joelhos tremem
Quando seu coração padece
Quando seu cheiro muda

De tudo que os outros fazem
O que é que te atinge
Quando suas pernas não te suportam
Quando da voz só sobra sussurro
Quando seus dedos se enrijecem

De tudo que acontece
O que é que te faz feliz
Quando os amigos vão embora
Quando a família diminui
Quando o romance esfria

De tudo o que passou
O que é que vale a pena
Quando você imagina seu corpo
A sete palmos do chão

8 de ago. de 2015

Dos padrões

De tão pequena não cabia
De tão grande não servia
De tão média desaparecia

Mas ela continuava tentando achar a medida
Pra agradar os olhos de outrem

13 de jul. de 2015

Do coração

Parar de respirar pro coração bater mais devagar
Pra fingir que o nervosismo vai embora

E aí perceber que a sensação latente
É melhor que aquela dor no fundo
Esperando pra sair

23 de mar. de 2015

Da Fé

Tinha alguém olhando por ela, pra ela
Que não vivia nas nuvens nem num castelo

Mas no canto direito do peito esquerdo
Sussurrando pra continuar

15 de mar. de 2015

Da Bíblia

Esse tempo todo andando pra lá e pra cá
E eu só queria mesmo é saber
Como que dá pra amar ao próximo como a si mesmo
Quando não se vê no próximo nem um pedacinho de você

28 de fev. de 2015

Se falando pra si mesma

Que sempre tem alguém pra falar
Aquilo que você não quer ouvir

Naquela noite era ela pra ela mesma
Sobre aquela noite depois do dia

20 de fev. de 2015

De andar

Tentaram convencer de que era normal
Ficar com aquele amargo na boca e o nó no peito
De andar na rua
Na frente daquele prédio

Ela não acreditou.

18 de jan. de 2015

Só e com

Aquele dia que ela acordou sem ele achou que não ia levantar
Mas bem naquele dia o sol achou de aparecer
O carteiro a campainha tocou
E ela teve que levantar.

Mas naquela noite, ele achou de aparecer
De nela se abraçar
Pra não querer levantar
Naquele dia que ela acordou com ele

17 de dez. de 2014

De ir

Ela falou assim que se ele não soubesse daquilo, ela voltava
Aí ia dizer o quanto que tinha feito falta
Aquele sorriso, o beijo
E os pés trançados

Pensando que da vida ela levava só mesmo aquilo
Com mais um ou dois abraços antes de partir

9 de dez. de 2014

Da saudade

Não era sobre as noites em claro nem sobre as viagens.
Era sobre os dedos entrelaçados, o riso fácil...
E aquela simplicidade em não ter que ser nada além de si

2 de dez. de 2014

Da procrastinação

Tinha que dar tempo pro tempo
Pra ver se dava pra fazer algo além
De ver a vida correr

20 de nov. de 2014

Impressão

Ela tinha lido um livro meio impressionante, daqueles que impregnam na cabeça por dias. Era sobre um homem que desenvolveu um traje em que se ocultava à visão humana. E observava as pessoas.
Ela pensava se alguém a observava agora. E o quão patético seria perceber o quanto todo mundo é mais ou menos igual.
Ela se achava especial, mas se todo mundo se acha especial, bem, já não faz sentido de qualquer forma.
Hoje ela tinha se deitado no chão. Sempre achava espetacular se deitar no chão, como uma criança que finalmente faz algo que os pais desaprovam sem eles verem. Ela se achou interessante, assim, olhando o teto, olhando as rachaduras e as falhas na pintura. Não era interessante. Começou a imaginar que alguém podia vê-la.Que alguém sempre a seguia, pra todo lado. Pensou que isso podia ser uma forma distorcida de deus, mas ela achava mais plausível não ser.
Justo naquela noite, ela queria que alguém pudesse vê-la, entende? E depositou toda sua loucura nessa ideia do livro que tinha lido há uns dias. Ela não percebia que era mais um amigo imaginário do que, de fato, uma impressão forte de uma história. Ela não percebia que não tinha ninguém pra falar. Que o mais próximo de contato humano, seria se alguém a estivesse observando ocultamente.
Ela fez chá. Não porque gostasse, mas porque achava que existia algo de acalentador em bebidas quentes como o chá. Isso e porque era barato, e ela gostava de barato.
Ela bebeu metade da xícara e jogou o resto na planta. Não que ela pensasse que aquilo poderia matar a planta, mas era automático, como quase tudo na vida.
Ela ficava mais imprudente nas sextas à noite. Ela gostava mais de sorvete nas segundas. E fazia isso tudo pensando que era espontânea. Não era.
A vida seguia um padrão. E se alguém a estivesse observando, seria possível traçar a vida inteira com apenas um dia de observação.
Só que ela queria ser especial. Então comprou outro livro. E ficou lá, pensando que o homem estava no quarto, aprovando sua escolha.

19 de nov. de 2014

A tortura

O problema não era o dia quente
O ônibus lotado
O senhor gritando
O menino correndo

O problema não estava
Nas coisas que ele disse
Nas coisas que ele fez
Nas coisas que ele deixou pra trás

O problema era ela
Pura e simplesmente ela

Que não podia desgrudar de si mesma
Nem naquele momento que a alma descolava
E ela se sentia a sumir

A não ser pelo problema.

Que ela aumentava e segurava

Só pra sentir algo

Além de nada

17 de nov. de 2014

Pras Meninas

Quê que tem de errado
Com o cabelo, com as roupas

Quê que há de mal
Em dançar, em dormir

Por que é que todo mundo
Liga pro que se vê

Mas não ouve nem lê...

8 de nov. de 2014

Pra dar conta

Que fazia raiva de dor
De olhar praquela foto
De ouvir aquela foz
De ficar só
Ecoando uma, duas, três vezes
Aquela cena
Que doía de raiva
De transformar tristeza em indiferença

5 de nov. de 2014

Cidadão do bem

Ele tinha aquela cara
De quem passa a vida inteira
Sem olhar pra cima
E ver aquele prédio vermelho, saindo do contexto

É, ele não saía do contexto nunca...

Ele não reconhecia faces fora do lugar de origem
A moça da padaria fora de lá era uma estranha
O porteiro que dava bom dia fora do prédio ele nem via

E se andasse pelo lado contrário da rua
Se perdia

Que a gente preste mais atenção na vida

E menos num monitor que cansa
Com resolução infinitamente pior
Do que aquela da janela do ônibus

29 de out. de 2014

Nos dias

Tinha tanto tempo que o coração batia rápido que ela se sentia morta quando descansava
E quando não descansava vivia fatigada
Correndo pra ter tempo pra correr mais
Olhando o mundo por uma tela
Vendo a vida num vídeo ruim
Como seria o céu ela nem lembra
Só que às vezes  dava vontade de subir pra lá
E respirar

28 de out. de 2014

Pra fazer feliz

É hoje
Que vai ter sorriso pra todo mundo
Assim de graça mesmo
Pra ver se a alma fica leve
E a pressão se dissipa

24 de out. de 2014

O que dói

Tem que
Tem que respirar
Tem que parar pra ver
Se tu não explode,
Se não enlouquece
Se não te dói ficar a sós consigo mesmo
Tem que ter fé
Tem que ter fé na fé
Tem que ter fé pra fazer passar
Pra fazer parar
De fazer doer
Aquilo que arde, que corta, que queima
Aquilo que se vê
Se não pára
Se não parar
Se não fizer por onde
Tem que deixar pra lá
Pra fazer passar
Pra fazer esquecer
Do que não se sabe
Do que não se vê